Workshop no CVTT/Iscte

Workshop no CVTT/Iscte

26.04.2025.

Depois de reunirmos com técnicos das Câmaras Municipais de Almada e de Odivelas em separado, conseguimos juntar os dois grupos de profissionais para uma sessão de discussão conjunta, que aconteceu esta semana no Edifício IV do Iscte. Depois de apresentarmos um resumo dos resultados dos workshops prévios, lançaram-se duas discussões. 

A primeira contou com os técnicos divididos por município, com o objectivo de listar e localizar as principais iniciativas já em desenvolvimento localmente para responder à transição para a sustentabilidade. 

Em Almada destacam-se, entre muitas outras iniciativas, o Mercado Circular, o Agroparque das Terras da Costa, o programa de Microflorestas, a expansão do Metro ligeiro de superfície para melhoramento infraestrutural associado ao trânsito condicionado no centro histórico da cidade e a expansão da rede ciclável, a inciativa Coolife e ainda a criação de novas Áreas de Reabilitação Urbana e o programa O Meu Bairro. 

Já em Odivelas, foram referidos o programa Manhãs Activas (desporto para a terceira idade), a criação de vários parques urbanos e ainda a extensão do Metro de Lisboa de Odivelas para Loures e da rede ciclável concelhia. Como projectos com maior transversalidade, destacaram-se a requalificação urbana do Pinhal da Paiã e da Avenida José Guerreiro, o aumento das Zonas 30, e o Estudo da Várzea, bem como a Quinta da Restauração e o esforço continuado de reconversão urbana de áreas de génese ilegal. 

A seguir, reagrupados em grupos mistos, desafiámos os técnicos a identificar as barreiras e dificuldades sentidas neste esforço de transformação dos espaços públicos para uma transição sustentável. Estas dificuldades foram previamente divididas em três dimensões: problemas institucionais (orgware), problemas do território (hardware) e problemas sociais (software). 

No primeiro tema, foram referidos a limitação de recursos (humanos e financeiros) e ainda a dependência de promotores privados e de regulamentos supra-municipais; a falta de comunicação e articulação entre diferentes organismos da administração pública; bem como a existência de conflitos de interesse (público vs. privado) associados à complexidade burocrática e ainda aos processos de tomada de decisão política. 

No segundo tema, referiram-se as heterogeneidades dos territórios de ambos os concelhos, bem como a existência de grandes áreas de urbanização clandestina, conduzindo a uma ausência de coesão social e territorial. A falta de reflexão sobre os desafios específicos das áreas suburbanas foi também apontada, referindo-se ainda os problemas associados a um modelo de cidade comercial que não produz cidade, e a proliferação de intervenções fragmentárias que impedem a coerência do sistema urbano. 

No terceiro tema, referiram-se as mudanças de dinâmica social nos anos recentes, o crescimento de populações vulneráveis com dificuldade em fazer-se ouvir nos processos de gestão urbana. Por outro lado, a fraca cultura geral urbanística também se apontou como um problema central, associando-se à resistência social a intervenções mais transformadoras. 

Além da equipa do projecto Lugar Comum, este workshop foi montando com o apoio das investigadoras Carolina Cardoso, Maria Assunção Gato e Elodie Marques. O nosso obrigado a todos os participantes e colaboradores! 

João Cunha Borges
Researcher | Investigador