Seminário “Lugar Comum” no Iscte
26.04.2025.




















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Fotografias – Alina Tymruk e Elodie Marques
No passado dia 3 de Junho, decorreu no CVTT/Iscte o Seminário do projecto de investigação, que contou com vários oradores e cerca de meia centena de espectadores, ao longo de todo o dia.
A manhã começou com uma apresentação dos resultados do projecto de investigação do último ano. Incluiu uma sistematização do inquérito das principais intervenções de espaço público nos municípios de Almada e Odivelas nas últimas duas décadas, agrupando-as por programas de financiamento, objectivos e distribuição espacial. Apresentou-se também o site do projecto e um teaser do documentário ainda em produção. Também a sistematização dos principais resultados dos vários workshops em que a equipa reuniu com técnicos de ambas as Câmaras Municipais, no sentido de perceber os desafios e impactos da transição sustentável no espaço público.
Seguiu-se uma mesa-redonda dedicada ao tema “A Produção do Espaço Público: tendências e desafios para uma transição sustentável”.
Moderado pela coordenadora do projecto Lugar Comum, Ana Brandão, esta primeira discussão contou com diferentes perspectivas. Incluíram-se técnicos municipais – o arquitecto Mário Cantinho da Câmara Municipal de Odivelas e o arquitecto Luís Berardo da Câmara Municipal de Almada – que partilharam as suas experiências concretas com a criação e gestão de espaços públicos na cidade extensiva, mas também os principais desafios na coordenação de agendas nacionais e europeias com os interesses das comunidades locais. O arquitecto e investigador João Rafael Santos partilhou os resultados dum projecto que coordenou, ‘MetroPublic Net’, com um levantamento crítico dos espaços públicos da Área Metropolitana de Lisboa. Do atelier José Adrião Arquitectos, os projectistas José Adrião e Ana Grácio apresentaram uma reflexão sobre projectos desenvolvidos no âmbito da reabilitação de espaço público na cidade extensiva, com ênfase especial nas suas intervenções nos centros históricos de Loures e Camarate.
A tarde foi dedicada ao tema ‘Narrativas visuais e imaginários da cidade extensiva’. Com moderação da arquitecta e fotógrafa Filipa Frois Almeida, esta mesa-redonda contou com apresentações individuais dos seus participantes, seguidas de um debate entre todos. Esta discussão levou-nos à periferia de Lisboa com a fotógrafa Catarina Botelho, mas também à do Porto com a fotógrafa Ana Miriam Rebelo e ao caso singular de Vila Nova de Santo André com o fotógrafo Paulo Catrica. Além da construção e representação do espaço, falou-se sobre o papel crucial das comunidades e da forma como estas concebem o seu habitat, bem como da necessidade de pensar o impacto da urbanização na vida das populações que a habitam, na construção da sua memória individual e colectiva e nas oportunidades que a cidade extensiva oferece para a expressão da vontade e identidade dos seus habitantes.
O seminário terminou com a apresentação do keynote speaker, o arquitecto Joan Roig y Durán, do atelier Battleroig de Barcelona. Com uma antologia comentada de projectos do atelier, esclarecendo os contextos culturais, administrativos e urbanísticos que condicionaram a sua elaboração e execução, o arquitecto aproveitou para reflectir sobre o papel do espaço público, da mobilidade e dos ecossistemas no equilíbrio dos sistemas urbanos, deixando pistas importantes para pensar os problemas da sustentabilidade urbana num contexto internacional. Com notável sentido de humor, Joan Roig deixou ainda algumas considerações sobre a importância do espaço público na vida das cidades, da expressão da identidade e da memória, da reabilitação urbana e do aproveitamento das tradições locais para conceber o futuro. A investigadora Maria Matos Silva conduziu o debate com Joan Roig e moderou as intervenções do público.
Além da equipa do projecto Lugar Comum, este seminário contou com a colaboração dos investigadores Elodie Marques e Rolando Volzone para a sua organização.
A todos os participantes e espectadores, o nosso muito obrigado!